A
metodologia empregada no CPA tem como pilares a História do
Centro enquanto Escola Comunitária de Trabalhadores e a sua
Missão. Construída num processo que acumula as experiências
da Pastoral Operária¹, da Plataforma de Educação
do Conselho de Escolas de Trabalhadores², da Pastoral do Menor
e da própria Ação Comunitária Paroquial
Jardim Colonial, está fundamentada nas linhas pedagógicas
libertadora, do oprimido, da autonomia e da presença.
Para
as Escolas de Trabalhadores, o direito à cidadania não
é um bem de nascimento, mas um direito que se adquire pela
participação no Trabalho Social. O nascimento garante
o direito à educação, como abertura à
participação no Trabalho Social e ao conseqüente
exercício da cidadania. Assim, as questões políticas,
relacionadas aos conhecimentos básicos e às habilidades
técnicas são questões fundamentais a serem
trabalhadas.
“É
importante se destacar que a técnica não é
instância separada da cultura de uma sociedade ou cidade.
Por isso, por isso mesmo ela é política. A tecnologia
quer se passar por uma instância superior a todas as culturas,
a fim de dominá-las. Cabe a cada povo passar a domina-la
para coloca-la sob seu Governo.
Esta
é a perspectiva das escolas de trabalhadores que lutam para
tomarem-se Cidadãos Trabalhadores." (Plataforma de Educação
do Conselho de escolas de Trabalhadores - Rio de Janeiro - Setembro
95)
Na
busca constante de coerência com a sua Missão, o CPA
procura desenvolver uma Ação Pedagógica voltada
para a expansão da autonomia dos sujeitos sociais, para o
tomar-se cidadão, considerando o conhecimento condição
para o pleno exercício da cidadania e que além das
habilidades técnicas, específicas a cada ramo profissional
devem estar presente no processo de formação um currículo
mínimo que garanta a sua inserção no mundo
contemporâneo, tanto do ponto de vista do exercício
profissional, quanto da participação democrática.
O Processo
de Construção Coletiva do conhecimento desenvolvido
a partir desta Ação Pedagógica, deve ter como
características:
- a
valorização das experiências, vivências
e conhecimentos que cada um traz;
-
a construção conjunta e intercomplementar das habilidades,
conhecimentos e condutas;
-
a desmistificação da absolutização do
conhecimento e da carga de poder que a esta se associa;
- a
ação ligada à reflexão e à intervenção
social;
-
a construção da autonomia, o exercício do poder
compartilhado e a invenção de novas formas de representação;
-
a abertura à crítica, à reciclagem e à
re-invenção;
-
a permanente avaliação;
-
a responsabilização e o envolvimento de alunos e ex-alunos
em relação ao empreendimento social no qual se constitui
cada uma das Escolas de Trabalhadores.
Esse
processo não se limita apenas a aprender, ele se estende
ao aprender a aprender, a criticar o aprendido e a se abrir para
novas criações. No CPA a questão pedagógica
não se restringe à construção de habilidades
profissionais e de conhecimentos desenvolvidos em oficinas, laboratórios
e salas de aula. Mas, se estende a todos os espaços da vida
escolar, no qual se busca a gestão democrática do
processo educativo, visando transbordar para fora para o resgate
do papel das famílias na formação dos jovens
e para a luta pela gestão e governo do mundo social, fazendo
da escola um laboratório de democracia, onde alguns pressupostos
são cumpridos:
| ¹Instância
da Igreja Católica, a partir das Comunidades Eclesiais
de Base para evangelização, organização
e formação de trabalhadores.
²
Documento
que sistematiza a experiência de Escolas de origem operária,
e estabelece o Conselho enquanto espaço de reflexão
e fortalecimento. |
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