Histórico
do Parque do Carmo
Todo
o município de São Paulo já foi coberto por
algum tipo de vegetação, e a vegetação
mais significativa, e que cobria a maior parte de nossa cidade,
era a floresta de Mata Atlântica, mata esta, que recebe influência
do Oceano Atlântico, daí vem seu nome.
Os primeiros ocupantes desta região foram três tribos
indígenas, Itaquerús que originou o nome do bairro
de Itaquera, Guaianás que originou o nome do bairro de guaianases
e Caaguaçús, Com o decorrer do tempo vieram para esta
região uma Ordem católica chamada de Ordem Terceira
do Carmo Fluminense, que todos conheciam como Ordem dos Carmelitas.
Eles tinham o intuito de catequizar os índios que aqui habitavam,
e mostrar alguns de seus costumes, este choque cultural não
aceito pelos índios teve o resultado de fuga destes para
terras mais distantes.
Então, a Ordem Carmelita usufruiu bastante destas terras
transformando-a em "Fazenda Caaguaçu" (para os
índios este nome significava Mata Grande) no ano de 1722.
(Caaguaçu era uma das tribos que habitaram esta região
e mais recente o antigo nome da avenida principal do Carmo que hoje
se chama Av. Afonso Sampaio e Souza).
A exploração agrícola e a criação
de gado foram as principais atividades desenvolvidas na fazenda.
Grande parte da área foi devastada para o plantio. A substituição
da mata original pelos produtos agrícolas, modificou o ecossistema
da região, destruindo o habitat dos animais. .
Em 1919 a fazenda foi vendida para a Companhia Pastoril e Agrícola,
de propriedade do Coronel Bento Pires, que deu continuidade a criação
de gado e principalmente o plantio de café, que tinha sua
produção facilmente escoada pelo aproveitamento da
ferrovia que passava perto de sua fazenda, e que foi trazida até
estas terras pelo engenheiro Artur AlvÍm.
Na década de 20, Bento, Pires começa o que seria o
primeiro processo de loteamento das terras da fazenda. Parte destas
terras hoje é a Vila Carmosina e a Cidade Líder, e
o que restou destas terras passou a se_chamar "Fazenda do Carmo".
Nesta mesma época inicia-se a colonização japonesa,
incentivada pelo coronel Bento Pires. Seu interesse era a formação
de pequenas propriedades produtivas e que tivessem mão de
obra especializada para fomentar o desenvolvimento agrícola
da localidade.
Já na década de 40, houve no Brasil a revolução
industrial, o que fez o café perder o valor, assim sendo,
o Coronel Bento Pires resolveu vender parte de suas terras para
um engenheiro de construção civil da CBPO (Companhia
Brasileira de Projetos e Obras), o Sr. Oscar Americano de Caldas
Filho; este por sua vez loteou e vendeu parte desta propriedade.
Na época existiu até um slogan que dizia "Venham
morar no Morumbi da Zona Leste", pois os lotes eram grandes,
justamente no intuito de atrair pessoas da classe média e
alta e assim, valorizar mais ainda o restante de suas terras.
Essas terras loteadas fazem parte atualmente do Jardim
Nossa Senhora do Carmo, que em alguns pontos é conhecido
como Morumbizinho.
Oscar Americano também plantou algumas espécies de
eucaliptos e pinheiro (pinnus) para fazer experiências no
uso destas madeiras para confecção de dormentes, mas
que as pesquisas mostraram que não eram propícias
para este fim. Ele transformou o restante das terras em área
de lazer particular para passar os finais de semana com a família,
e começou a fazer algumas mudanças nestas terras.
Reformou e aumentou o tamanho do Casarão (hoje o CEA CARMO),
onde ficou sendo a sede da fazenda e sua casa principal, ao lado
direito da casa existe até hoje uma figueira, que na época
tinha a valor de dar status para o ocupante daquela construção,
e para mostrar que ali vivia o dono da fazenda; construi também
uma casa ao lado da principal, que era usada pelos empregados da
fazenda; fez a casa das crianças e babás (hoje sede
da GCM), fez também a piscina da fazenda (hoje local de recepção
de escolas e instituições para trabalhos no CEA CARMO),
e construi a casa dos hóspedes
(hoje sede da Administração do Parque) e um prédio
redondo, que era um espaço de lazer e jogos,_e aproveitando
a geografia da fazenda, represou o córrego principal e fez
uma barragem, onde construiu um lago artificial que ele usava para
práticas de esportes náuticos nos finais de semana.
Hoje este lago é uma das principais atração
do parque, com diversas espécies de peixes, cisnes, marrecos,
gansos, aves migratórias e uma imensa diversidade de vida.
Oscar Americano faleceu em 1974 e anos depois; sem muito interesses
por esta fazenda, seus herdeiros resolveram vendê-la. Uma
parte ficou com a Prefeitura e outra (a maior) ficou com a COHAB.
A Prefeitura fez algumas benfeitorias nesta fazenda, aproveitando
muitos equipamentos da época da fazenda, e construiu banheiros,
playground, churrasqueiras, e áreas de descanso. O Parque
do Carmo ,foi inaugurado em 19 de setembro de 1976, e conta hoje
com uma área de pouco mais de 1,5 milhão de metros
quadrados, tornandose o terceiro maior parque municipal da cidade
de São Paulo'
Além do parque contamos com uma imensa área verde
ao redor dele, que é a Área de Proteção
Ambiental (APA DO CARMO) que foi conquistada com muita luta pela
comunidade do entorno, e que hoje possui 9 milhões de metros
quadrados incluindo o parque neste montante. Dentro da AP A, além
do Parque do Carmo temos, o SESC, a Usina de Compostagem de São
Mateus (hoje desativada, e que no seu lugar estará funcionando
a Central de triagem de São Mateus), o terreno do antigo
Aterro Sanitário, e infelizmente algumas áreas invadidas
(Gleba do Pêssego), mas que ainda conta com uma imensa floresta
de Mata Atlântica preservada através da lei de criação
da APA. |