A Respiração e a Fotossíntese


  A energia acumulada nos alimentos é, em sua maior porção, desprendida durante a respiração, processo em que a matéria orgânica é consumida e transformada em produtos simplificados como o gás carbônico e a água. A velocidade com que os sêres vivos morrem e se consomem uns aos outros é de tal ordem que êles desapareceriam todos, não fôsse a interveniência de uma reação capaz de assegurar a contínua reposição da matéria orgânica, no decurso de uma geração humana. Enquanto existem muitas maneiras pelas quais a matéria orgânica é decomposta, como na respiração e em reações similares, há somente uma reação, a fotossíntese, a contrabalançar, por milhões de anos, a morte e a decomposição.

  Numerosos pigmentos, presentes nos vegetais, sobretudo a clorofila, e, em menor escala, os carotenóides e a ficocianina, foram reconhecidos como adequados a converter a energia luminosa em energia química. As plantas verdes têm o poder de transformar os glicídios formados pela fotossíntese em gorduras, óleos, protídeos e muitas outras substâncias. Assim, todo o alimento orgânico ao dispor dos sêres vivos depende da fotossíntese. No ciclo da síntese e da decomposição ou morte os materiais básicos, o gás carbônico e a água, são continuadamente reempregados, ao mesmo tempo em que a energia liberada pela degradação da matéria orgânica é perdida, dissipada no espaço sob forma de calor e deve ser constantemente reposta pela radiação solar.

Descoberta

A fotossíntese foi ignorada pelo homem até que Priestley, em 1772, descobriu que as plantas modificam a composição do ar de modo inverso do que fazem os animais por sua respiração. A descoberta de Priestley foi o ponto de partida para uma longa série de progressos científicos que levaram à enorme acumulação de dados que constituem o cabedal humano a respeito da fotossíntese. Também com ela foi levantado o véu que obscurecia a razão por que a atmosfera da Terra permanecia sempre saudável, não obstante a respiração e a decomposição dos corpos animais durante milhões de anos. Segue-se a verificação por Ingenhousz de ser a luz o agente que capacita as plantas verdes a transformar o ar viciado em ar puro. Outro passo foi à demonstração, por De Saussure, de que o peso dos vegetais aumentava de um valor superior ao do gás carbônico absorvido. Concluiu ele em 1804 que as plantas aproveitavam a água incorporando-a em forma sólida juntamente com o carbono. Surgiu então o problema de saber-se qual a origem do oxigênio desprendido, se do próprio gás carbônico ou da água. De Saussure opinou pelo primeiro, opinião essa que prevaleceu por mais de um século. A compreensão do fenômeno assimilatório foi fortemente modificada por duas descobertas, a de Winogradsky, das bactérias quimiossintéticas, aptas a assimilar o gás carbônico na obscuridade e desprovidas de clorofila, e a de Engelmann, das bactérias purpúreas que executam um tipo de fotossíntese sem desprendimento de oxigênio. Entretanto a exata avaliação dessas descobertas só foi alcança da muito posteriormente, quando se tornou conhecida a propriedade geral das células vivas, verdes. ou incolores, de assimilar o gás carbônico, diferindo apenas nas fontes da energia utilizada no processo químico.

Pesquisas

  Houve certa relutância em admitir a existência de fotossíntese sem desprendimento de oxigênio, chegando-se mesmo ao extremo de querer interpretar a assimilação de CO “no escuro, pelas bactérias quimiossintéticas como uma decomposição desse gás com libertação de oxigênio molecular. Foram os trabalhos de Van Niel, sobre a fotossíntese bacteriana, que vieram estabelecer, de modo terminante, ser esta um processo anaeróbio e lançar” por terra a interpretação de que a luz funcionava na fotossíntese decompondo o gás carbônico em carbono, transferido para outras moléculas, e oxigênio livre. Trabalhos nesse campo estabeleceram o papel da luz decompondo a água, de modo idêntico, em ambos os tipos de organismos, nas bactérias e nas plantas verdes. A decomposição pela luz, ou fotólise da água, resulta na formação de dois radicais com propriedades opostas, um (H) redutor e outro (OH) oxidante, e dando posteriormente lugar à regeneração de água com libertação de oxigênio.

  Os estudos realizados em condições experimentais, sobre cloroplastos isolados e livres de impurezas citoplásmicas demonstraram que essas organelas são capazes de realizar não somente a absorção da luz e a decomposição da água como a totalidade do processo. Assim, os cloroplastos são interpretados como estruturas celulares autônomas especializa das para o desenvolvimento da fotossíntese nas plantas verdes. Esse método de estudo permitiu compreender melhor a natureza íntima do processo e chegar a um conceito unificado sobre o seu funcionamento diferente da concepção de estar a fotossíntese primordialmente vinculada à fixação do CO,. A fotossíntese aparece como sendo um processo de conversão da energia luminosa em química. Por outro lado intervém nela uma série de compostos fosforados, de modo a se poder concluir que a fotossíntese está mais relacionada com a assimilação do fósforo do que com a do carbono. Tanto na fotossíntese das bactérias quanto na das plantas verdes ocorre a formação do trifosfato de adenosina e dos nucleotídeos da peridínea em forma reduzida. A conhecida acumulação de glicídios, nas plantas verdes, durante a fotossíntese, representa Uma reserva de energia captada e é de natureza diversa do processo de captação da energia luminosa em si. A assimilação de CO" que é do ponto de vista quantitativo a forma predominante da fotossÍntese global, se torna assim apenas um caso particular no aproveitamento e armazenamento da energia selar. Essa assimilação pode ser feita através de sistemas enzimáticos operando totalmente na obscuridade, conforme se verifica em organismos não fotossintéticos.

  Os compostos fosforados referidos acima, o trifosfato de adenosina e os nucleotídeos da peridínea são os primeiros produtos da fotossíntese nas plantas verdes. Entretanto eles são logo usados na síntese dos glicídios e outros produtos orgânicos, existem em quantidades mínimas de valor catalítico e não se prestam a ficar acumulado sob forma de reservas.

Dados Percentuais

  Quanto à sua eficiência, a fotossíntese das plantas verdes tem sido objeto de observações minuciosas. Assim, foi estabelecido que, em média, 1 a 3 % da energia luminosa que incide sobre uma folha verde é transformada em energia química. Admite-se que, anualmente, 200bilhães de toneladas de carbono são incorporados às plantas pela fotossíntese. A maior parte desse total, aproximadamente 90%, corre à conta do trabalho realizado pelas algas marinhas e dulcícolas.

  Dentre as diversas cobertas vegetais encontradas, a mais eficiente é a floresta, que supera de muito aos campos de cultura. Uma estimativa assinala que um quilômetro de floresta tem a capacidade de fixar, por ano, 250 toneladas de carbono contra 160 para a mesma área de terra cultivadas. Outro cálculo leva a concluir que cada ano 0,4% do gás carbônico disponível é utilizado, o que dá um ciclo de 250 anos para utilização de um volume de CO, igual ao existente na crosta superficial da terra. Numa folha colocada em pleno sol, a intensidade da fotossíntese é cerca de 15 a 30 vezes superior à da respiração. Uma folha de girassol pode assim ganhar 9% de seu pese seco por hora. Se considerarmos que a respiração é um processo contínuo, enquanto a fotossíntese faz apenas nas horas em que há luz, o rendimento líquido desta será apenas cinco vezes menor. O ciclo do carbono exige também um ciclo do oxigênio e outro do hidrogênio.                                                              

Refrência: Enciclopédia Barsa - Volume 6
Editora:Encyclopaedia Britannica Editores LTDA - Rio de janeiro,São Paulo
Páginas:313 e 314

 


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